Homem não humano?

No último post o Soyer me perguntou: Verdade, acho que o mais importante é antes de tudo que a inspiração seja boa, que nos torne mais humano mesmo, que inspire a união. Um assassino precisa então de referência?

Ótima a pergunta! É muito comum que vejamos pessoas que cometem algumas barbaridades ou mesmo pessoas que fogem de alguns falsos dogmas/preconceitos sociais com se não fossem um ser humano. Olhamos alguém em estado de miséria e não sentimos nenhuma afinidade com aquele ser. Somos então desumanos, talvez mais que a pessoa que negamos e criticamos.

E um assassino não é um ser humano? Por mais animalesco e perturbado que seja, ainda é um humano, certo? Não o confundimos com um cachorro, nem com uma árvore. Se conseguimos reconhecer que um homem é ser humano é porque há algum padrão que caracteriza seres humanos e os diferencia dos demais seres.

Cada coisa tem uma natureza e, portanto, há uma série de comportamentos que são típicos de cada coisa. O típico dos seres humanos é viver as experiências da vida conscientemente. Uma abelha vive perfeitamente, mas não sabe que é abelha, nem que a geometria usada em sua colmeia é harmônica, econômica e bela. Ainda assim a abelha vive alinhada com todas as leis naturais.

O homem também esta inserido na natureza e, obviamente, está submetido as leis deste sistema. Isto é matemático. No entanto, o homem quando solto no mundo, sem esforço e reflexão, tende a afundar, como uma pedra na água. Ao homem não foram dados instintos muito aguçados, mas sim uma inteligência e uma vontade para que possa perceber quem é ele mesmo e o que é a natureza. Assim, o típico do homem é se questionar e perceber que há uma natureza humana. Quando o homem decide voluntariamente agir de acordo com as leis naturais, ele está se tornando mais humano. Portanto, o típico do homem são os valores. Estes valores são valores universais e atemporais, não deixam de ser úteis, nem válidos, nem deixam de fazer o homem crescer e de fazê-lo feliz, ou seja, são como a força da gravidade na Terra.

Se reconhecemos que mesmo um assassino é um homem, significa que ele possui a natureza humana dentro dele, mas ainda nao desenvolvida. Por isso um ladrão precisa de referencias, para saber como é ser humano e, então se construir humano.

O processo de educação é justamente o de inspirar, de eduzir. Eduzir é tirar de dentro, simplesmente ajudar o indivíduo a fazer nascer aquilo que ele já tem dentro de si. Mesmo o assassino tem uma alma humana, assim como uma célula cancerígena ou célula tronco possuem o DNA saudável do corpo/sistema. Basta criar condições para que esse DNA atue para que a célula cresça e se expresse em sua máxima potência e livre. E liberdade nada mais é do que ser aquilo que lhe corresponde.

Se uma caneta foi feita para escrever, o que pode ser mais feliz para uma caneta do que poder escrever? Se um coração foi feito para bombear energia para todo o corpo, o que pode ser mais feliz para o coração do que servir como coração ao corpo? Se um homem foi feito para compreender as leis da natureza e escolher agir de acordo com elas e a servir aos demais homens que estão na mesma busca, o que pode ser mais feliz ao homem do que crescer e servir?

 

O todo é maior que a soma das partes

Universo, Via Láctea, Sistema Solar, Planeta Terra, America do Sul, Brasil, Centro-Oeste, DF, Brasília, Plano Piloto, Asa Norte, Universidade de Brasília... Nós. Você. Eu.

O ser humano é um ser social, parte de um organismo. Sozinho, o homem é célula morta, é folha ao vento, é botão descosturado, é quebra-cabeça incompleto. 

Todo organismo é um sistema complexo. Nenhum complexo pode se sustentar e se expandir sem uma ordem. Esta ordem é um objetivo em comum, aquilo que une diversos, que os leva para uma mesma direção e ainda assim respeita a individualidade de cada um. Assim, a parte cresce, o todo cresce. Unidade na diversidade. 

A natureza tem um mecanismo interessante que desafia nossas mentes quadradas: quando duas coisas se somam por um mesmo propósito, o resultado é maior que a soma das partes. Quando se trata do campo das idéias, não estamos mais falando de somas. Simplesmente há coisas que não podemos fazer sozinhos. Nem eu, nem você. Há coisas que só podemos que quando nos unimos. Um homem tem sentimentos, idéias e vontades. A união de sentimentos, idéias e vontades não resulta em somas, mas em potências,  multiplicações exponenciais. 

É batata, assim como 2+2 são 4: toda ação necessita de uma inspiração. O homem precisa de inspirações. Inspirações inadequadas nos guiam para resultados inadequados. Todos os nossos atos podem inspirar os homens a serem mais humanos. Podemos aproximar homens ao invés de afastá-los. 

Há um provérbio que diz: o bem da colméia é o bem da abelha, mas o bem da abelha nem sempre é o bem da colméia. Saibamos escolher nossas insipirações para que saibamos inspirar o todo em cada uma das partes.

 

Simples complexo

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A ordem simplifica. O simples funciona. Aquilo que funciona, se movimenta. Aquilo que se movimenta tem vida. Tudo que é vivo quer crescer.

Quando uma unidade ordenada e simples se multiplica, forma um organismo complexo, como o corpo humano. A matriz das células é uma só, no entanto há milhões de células no corpo e cada uma com uma função específica naquele momento e lugar do corpo. Quando cada uma cumpre seu papel dentro do objetivo de ser corpo, o corpo cresce.

A ordem dispõe cada coisa no lugar adequado segundo a necessidade de formar um corpo. Quando cada parte é colocada no lugar adequado segundo um objetivo/necessidade, uma parte não tenta ocupar o espaço da outra parte, e tampouco desempenhar uma função que corresponda a outro. 

Vejam a bolsa de uma mulher, não dá para achar nada. Mentira! Acho que elas vêm alguma lógica na bagunça da bolsa e conseguem achar as coisas lá dentro. Mentira de novo! Muitas vezes elas não conseguem achar nada lá dentro. Mas quando a bolsa tem vários compartimentos, elas colocam cada tipo de coisa em um bolso. Adivinha! Agora acham tudo e bem rapidinho. Porque cada coisa ganhou um nome, cargo e endereço. Há ordem. 

Ainda com o exemplo da bolsa, se pegarmos todas as coisas que estão dentro de uma grande bolsa e despejarmos em uma gaveta, é possível que não haja espaço suficiente para todas as coisas dentro da gaveta. Cada coisa ocupa mais espaço do que precisa, os objetos ficam embolados. Além de não caberem, é um saco achar alguma coisa dentro de uma gaveta bagunçada. Por isso ordenamos a gaveta, a bolsa e o layout de uma página. Quando ordenamos, parece que a gaveta dobrou de tamanho, pois agora há espaço livre para colocar mais objetos ou para conseguir ver tudo que está dentro da gaveta.

A ordem multiplica energia. Quando ordenamos, temos mais tempo, mais disposição, mais paciência, mais dinheiro, mais alegria, mais espaço na página, mais espaço para guardar roupas, mais comida, mais conhecimento, mais, mais, mais. 

Quando sabemos tudo que temos, damos um nomes, determinamos funções, endereços, prioridades. Enfim, quando conhecemos as variáveis e as dispomos no espaço e no tempo com finalidade de atingir um objetivo, funciona. 

O complicado é diferente do complexo. Complicado é quando usamos o caminho menos inteligente. É quando não há objetividade e não sabemos muito bem como fazer algo. 

Complicado é falta de síntese. Síntese é inteligência. Inteligência vem do conhecimento das coisas, da vivência consciente das experiências. Complicado é falta de vivência.

Tudo que é simples e funciona, se perpetua. Quando algo se perpetua, torna-se complexo. A vida é um fractal.

 

Ordem é lei

Todo sistema é um organismo ordenado para cumprir determinado propósito.

Aquilo que está dentro de um sistema, é afetado pelas leis do sistema. Exemplo prático: a gravidade. 

Tudo que está no sistema Terra, está sob efeito da gravidade. A gravidade é parte do avião. Mas o avião não é parte da gravidade. Quando um pássaro ou um avião voam, não estão anulando a gravidade, mas funcionamento segundo a gravidade.

O leão deve seguir as normas do bando se quiser fazer parte do sistema de leões. Um funcionário passa a obedecer as normas da empresa quando entra no sistema empresa. E quando seguimos as leis e os propósitos de uma empresa, crescemos profissionalmente e a empresa também cresce. É assim com tudo o mais.

A natureza é o sistema ao qual o homem está inserido. Sendo assim, todas as regras da natureza se aplicam ao homem.

A filosofia clássica busca compreender as leis da natureza, para podermos voltar a viver naturalmente. Conhecendo as regras, podemos voar. 

Quando o homem segue as leis e propósitos da natureza, fazendo o que lhe corresponde dentro da "empresa natureza", cresce enquanto homem, bem como cresce também a natureza e tudo o mais que está dentro dela.

Se o homem é parte da natureza. Consequentemente, tudo que o homem cria e faz também é parte da natureza. 

Portanto, a filosofia se aplica a todas as atividades humanas. Filosofia tem tudo a ver com direito, dança, medicina, música, culinária, artes marciais, política, design… Enfim, tudo que o homem faz.

Aprendendo filosofia, podemos aplicar a qualquer atividade humana. Aprendendo só uma algo, só aprenderemos aquilo, pois não se compreende a unidade entre aquilo e as demais coisas.

O que é bom para a colmeia, é bom para a abelha. O que é bom para a abelha, não necessariamente é bom para a colmeia. As partes unidas por um só propósito resultam em muito mais que a simples soma das partes. Unidas as partes se multiplicam. Separadas, as partes se excluem e se dividem. Por lógica matemática, prefiro crescer exponencialmente a me retrair lentamente. 

Sendo assim, escolho ser sistema, lei e ordem.  

 

Ordenar é diferenciar

Quando tiro minhas roupas da máquina de lavar, é uma bagunça só, uma massaroca. Não consigo achar cueca, calça, camisa e nem o par da meia.  Juntas ali e ao mesmo tempo há a roupa que preciso para trabalhar, para estudar,  para passear. Mas com as roupas emboladas, não dá para eu usar nenhuma delas. Não servem para nada.

Isso é caos. O caos é a indiferenciação. 

Além disso, se eu não souber que cada peça de roupa tem uma característica própria e, portanto, uma utilidade própria, calçarei a camiseta nos pés e vestirei as meias no pescoço. Não dá pra calçar sapato com uma camiseta nos pés.

Quando não separo nem dobro as roupas e ainda assim jogo dento da gaveta, não encontro nada. Gasto mais tempo/energia procurando do que usando. Quando separo meias de cuecas, camisetas de calças e guardo cada uma em um lugar próprio, encontro tudo! E também sei se há muitas peças ou poucas, se preciso comprar ou quando precisarei lavar mais. 

Quando ordeno cada coisa no seu lugar, não tenho somente roupas, tenho um guarda-roupas. Um guarda-roupas é um sistema, um organismo. Se esse organismo estiver funcionando bem, eu também me dou bem. E assim também ocorre com as árvores, com o jardim, com o ecossistema…

Ordenar é saber fazer com que cada instrumento toque em sua melhor expressão, no lugar certo, na hora certa. Ordenar é unir para gerar música.  Uma bela música é muito mais do que o som do mais afinado dos instrumentos sozinho. 

Quando ordeno, uso a inteligência. Onde há inteligência há vontade. Onde há vontade, há movimento. Onde há movimento há vida. 

Diferenciando o som, crio notas. Harmonizando notas, faço música. Fazendo música, inspiro o melhor dentro de cada ser. Fazendo música, gero vida.

Criar é ordenar. Ordenar é diferenciar harmonicamente.

 

Toda criatura reflete seu criador

Há alguns meses dei uma palestra sobre filosofia do design na 4ª SDesign, na Universiade de Brasília - UnB e o pessoal da empresa júnior de design, a Lamparina pediu que eu falasse sobre o que penso e faço no design gráfico. A entrevista inteira pode ser vista no blog da Lamparina: http://lamparinadesign.blogspot.com/2010/11/especial-4-sdesign-palestra-golde...

O material da palestra pode ser baixado no Issuu: http://issuu.com/goldengrids

Abaixo alguns trechos da entrevista que acho mais importantes.

O processo projetual é algo tão universal que um designer atento, pode resolver um problema pessoal com a mesma habilidade com que resolve uma identidade visual. O homem é um ser naturalmente criativo, tem necessidades físicas, psíquicas e espirituais e interfere diretamente no mundo para resolver essas necessidades. Por muito tempo atirei pra todo lado dentro do design gráfico, por entender que projetar serve para projetar qualquer coisa. 

Estudo a proporção áurea. Esta proporção é curiosa, meio misteriosa. Isso deixa os homens cheios de perguntas e os homens não suportam viver com dúvidas. Buscando responder algumas das minhas perguntas, me interessei pela filosofia. Com isso passei a ver coisas que eu não via e entender coisas que eu não entendia. Bem prático, coisas cotidianos.

Estudando a filosofia clássica, passei a ver sentido nos números e formas, era como se contassem algumas traquinagens e segredos. A partir daí, percebi que antes de calcular, é preciso imaginar, ter idéias, sonhar e saber analisar o grande livro da natureza.

Projetar, assim como viver, significa tomar decisões. O tempo inteiro precisamos escolher o que é melhor ou pior. Ou seja, há algo que não é tão relativo assim: a necessidade. De acordo com a necessidade, podemos escolher idéias melhores que outras e formas adequadas às melhores idéias.

Nós todos precisamos aprender a pensar e a sentir. Vejo falta de sentido e objetividade na maioria das nossas ações e, portanto, em nossas criações. Essa falta de consciência do que se faz resulta em falta de poder criativo. 

Se não se sabe para onde ir, qualquer lugar serve. E assim vejo muitos designers projetarem: sem capacidade de realização, sem saber o que e porque estão fazendo, e sem ajudar as pessoas que utilizam suas criações.

Para o homem, não basta simplesmente fazer as coisas. O homem precisa entender o que faz, precisa ter uma motivação. Também precisa saber como fazer as coisas, um como. Sem isso sempre estaremos incompletos, sempre criaremos coisas inadequadas e feias. Quando conseguimos dar nomes aos bois, nos tornamos capazes de manejá-los da maneira que bem entendemos.

A filosofia desenvolve a inteligência, a capacidade de relacionar idéias e dar sentido aos fatos. Além disso, a filosofia dá uma finalidade prática as idéias, objetiva os conhecimentos adquiridos para atender necessidades do homem e da sociedade. Quando compreendemos isso, qualquer conhecimento torna-se útil para fazer design, as possibilidades criativas se ampliam.

Quando aprendemos algo técnico, não necessariamente aplicamos isso às nossas vidas. Por outro lado, invertendo o sentido das coisas, quando mudamos algo em nossas vidas, tudo que deriva dela, também muda. 

Mudemos para melhor e nossas criações mudarão para melhor. Tudo que fazemos reflete quem somos. Todos ganham com isso.

 

 

Dar vida é ordenar

Qual é a chance de eu jogar várias letras para cima e elas caírem em minha mesa formando um poema? 

E se apanhássemos pedaços de madeira e também jogássemos para cima, qual seria a chance de colhermos uma cadeira?

E se misturássemos areia e metais aleatóriamente, qual a chance de surgir um computador?

Em todos os casos, não há nenhuma chance. Nem mesmo uma em um milhão. Mais fácil cair dois raios no mesmo lugar.

Para que haja de fato uma cadeira, é preciso ordenar os pedaços de madeira. Criar é ordenar.

Somente pensar na cadeira não basta para descansar o corpo. Para criar uma cadeira e descansar o corpo, é preciso vontade e trabalho.

Se observarmos a natureza e nossas vidas, é fácil perceber que as coisas que ordenamos dão certo. Já o jardim que não cuidamos, logo morre e vira mato.

Para ordenar, é preciso dar atenção. Atenção é estar presente, é parar para pensar. O pensamento ordenado e objetivo é criativo. O pensamento criativo toma tempo. 

Temos muito a fazer e não queremos errar. Errando aprendemos, mas também perdemos tempo. Em tudo que fazemos, tentamos acertar, seja qual for o objetivo. Para sair de um problema e chegarmos a uma solução, usamos a inteligência.

Para criar, é preciso inteligência. É impossível que uma cadeira [ordenada], mesmo aquelas criadas para parecerem desordenadas, tenha se ordenado sem uma inteligência.

Onde há criatura, há criador.Onde há ordem e coerência, há inteligência e vontade.

 

Criar é dar vida

Criatividade é dar vida. 

Tudo que é construído é antes imaginado, sentido, sonhado. 

Tudo que vive, precisa de um corpo. Uma idéia que só é idéia e não se aplica, não vive. Não para nós, não no que nos toca viver. Idéia que não quer nascer, é sanguessuga, é carente, quer ser pensada e não quer dar nada em troca. Não quer trabalho duro e não quer crescer, ou seja, não tem méritos nem virtudes. Isso é a fantasia.

Quando imaginamos algo que nos anima, queremos ver aquilo nascer. Isso é o que mais queremos quando pensamos algo legal. Essa é também a atitude mais justa e generosa para com a própria idéia, que quer caminhar, mas não tem pernas.

O homem dá corpo a essas idéias. Dão corpo a idéias também as pedras, as árvores, as abelhas, os cachorros, etc. No entanto, estes não estão preocupados com isso. Já o homem é cheio de dúvidas, preocupações, questionamentos, desejos. O homem pensa se sim ou se não e também em como e porque. 

O homem é uma criança teimosa e malcriada. Mas tem uma qualidade, quando entende e decide, faz nascer e cuida. 

Criatividade é então dar vida. Compreender o que a idéia precisa para nascer e então dar-lhe um corpo adequado.

Tudo que está vivo, quer crescer. Todo crescimento é abandonar um estágio atual e partir rumo a um estado desejável e futuro. Tudo que está vivo se movimenta, vibra, vai de lá pra cá, daqui pra lá.

Quando criamos coisas que ninguém usa, essa coisa não se movimenta. Se ninguém vê utilidade prática em algo, logo abandona. Isso quer dizer que essa coisa não poderá dar nem receber. Isso significa que deixará de se mover e, claramente, morrerá. 

Criar coisas mortas, não é criatividade. Não dá para ser pai de uma criança morta. E todos que pensamos em ter filhos, os imaginamos saudáveis, com todas as nossas qualidades e patrimônios. Imaginamos filhos fortes e capazes para atuar no mundo, para viver e também fazer viver. Se estivermos sãos, não desejaremos dar vida ao oposto do que foi dito.

Quando projetamos, devemos pensar em coisas que vivam e façam viver, como nossos filhos.

Se isso é criatividade, escolho ser criativo.

 

É mais livre a folha no ramo ou a folha ao vento?

Que poder tem uma folha ao vento para decidir seu próprio destino? Nada lhe cabe além de ser jogada de lá para cá. Desconectada, uma folha morrerá, mais cedo ou mais tarde, pois não é autosuficiente e não gera energia por si própria. Não possui um centro.

Uma folha é feita para ser folha, tudo nela é adequadamente destinado à natureza de uma folha. Negando isso, não atingirá sucesso em nada mais. Aceitando isso, poderá ser a maior das folhas.

Caída uma folha é somente uma folha. Conectada é uma árvore.

Assim, somos livres quando somos felizes estando na sombra ou no sol, na ventania ou na brisa, na seca ou na chuva, pois nos basta ser a a melhor folha que podemos.

À folha que vive como folha, há liberdade até quando caída ao vento, pois se realizou e, caindo, possibilita renascer como nova folha em breve. Generosamente dá espaço a uma nova folha, mais eficiente e útil, para que esta também possa experimentar ser folha.

Assim me diz essa folha que liberdade é dar sem empobrecer, é guiar sem deixar de seguir seu próprio caminho.

Livre é este que enriquece dando, mas não dá para enriquecer.

Se assim é ser folha, escolho ser folha.